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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A liberdade poética da infidelidade feminina - Por Christiane Brito

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Não se trata de fazer uma apologia, mas a traição feminina inspirou alguns dos mais brilhantes escritores de todos os tempos. Longe de ser censurável, ela traz lições de liberdade, sensibilidade e coragem para mudar o mundo.

Por Christiane Brito


Divulgação // Keira Knightley como Anna Karenina

Para o psicólogo italiano Aldo Carotenuto, a traição faz parte do feminino. Assim como as mentiras. E isso pode ser explicado: reprimida através dos tempos, a mulher teve de usar de subterfúgios para conquistar o direito de amar. Nessa luta injusta, ela engrandeceu a alma com nuanças, profundidades, vertigens que impulsionaram a literatura mundial.

Madame Bovary (Gustave Flaubert) e Anna Karenina (Liev Tolstói) são apenas dois exemplos das centenas de maravilhosos personagens que saíram das páginas dos livros para nos inspirarem, além de habitarem terna e eternamente nossa imaginação.

Elas são instigantes, voluptuosas, adoráveis como quase toda mulher quando se depara com a paixão.

Greta Garbo como Anna Karenina



Pois quase sempre é isso a traição, antes de ser submetida aos julgamentos morais e éticos daquela estraga-prazeres que é a consciência. Apenas um estado de graça, às vezes buscado, em outras, encontrado no susto, por descuido ou acaso. Seja como for, não adianta resistir.

“Quanto mais longa tiver sido a resistência, tanto mais poderosa será a voz do amor”, sacramentou o escritor francês Honoré de Balzac no romance “A Mulher de trinta anos”, no qual a heroína, não por mera coincidência, é adúltera.

A traição nem sempre é sintoma de que o casamento vai mal. Aliás, discorrer sobre os motivos que levam ao adultério daria um livro. Talvez mais fácil do que buscar a gênese dessa atração por outro, seja encarar a situação com a simplicidade que propõe a terapeuta Lidia Rosenberg Aratangy no livro O amor tem mil caras (Editora Olho d´água): “Se uma experiência assim acontecer com você, isso não significa que você está louca, nem que é uma perdida, nem que o seu casamento está falido. Significa, apenas, que você está viva.”

Em outras palavras, o mais saudável é se entregar a essa excitação, legítima porção de felicidade. Não é bom pensar muito a respeito, nem é sábio.

Jeanne Moreau no filme Jules e Jim


Voltando a Balzac, o escritor achava que “raciocinar onde é preciso sentir é próprio das almas medíocres”. Pode ser, mas nem sempre dá para escapar desse vício de querer compreender tudo o que se faz, hábito que quase sempre nos leva ao beco sem saída da culpa.

Nesse caso, um jeito de redimir a consciência é vislumbrar o potencial transformador da experiência, como propõe o psicoterapeuta e escritor Moacir Costa. Para ele, a traição, vivida na sua plenitude, pode amadurecer o relacionamento.

Isabelle Huppert como Emma Bovary


O psicólogo Aldo Carotenuto partilha da mesma opinião. Sem ignorar o sofrimento que a experiência pode envolver, Carotenuto afirma no livro Amar e trair (Editora Paulus): “A vida seria muito menos rica sem esse doloroso acesso ao mundo do significado que é o adultério”.

Se trair é uma experiência valorizada, por outro lado, confessar o ato ao traído é fatal. Se psicólogos e conselheiros matrimoniais pudessem se reunir num coro, eles provavelmente responderiam a essa pergunta com um sonoro “não”.

Para o psicólogo Aldo Carotenuto, mais do que enfrentar uma separação, o reconhecimento de um caso extraconjugal pode levar a um “dos caminhos mais trágicos, solitários e dolorosos da vida. Traído e traidor estão um diante do outro na tentativa patética de tornar compreensível e exprimível um acontecimento para o qual não existem palavras.”

Mas será que o amor, tão endeusado pelos humanos, comporta essa terrível omissão?

Carl Gustav Jung, psicanalista e filósofo, acreditava que o mistério e o segredo fazem parte da experiência humana. Aliás, essa é a essência da solidão de acordo com Jung, não poder comunicar coisas importantes às pessoas em nossa volta. Há fatos e reflexões que só podem ser compreendidas intima e secretamente.

Quem prevarica mais?

Pense um pouco comigo e vai concluir que o seu restrito círculo doméstico tem um número elevado demais de adúlteras. Será que a mulher está traindo mais que antes?

Sônia Braga no filme Dona Flor e seus dois maridos



O que parece é que só agora, de uns 20 anos para cá, ela está se emancipando no território dos relacionamentos estáveis. Depois do direito ao voto, de deixar o “lar, doce lar” e conquistar chefias no campo profissional, a mulher está assumindo seu desejo de variedade sexual.

Por que o espanto? Verdade que há séculos escuta-se essa cantilena, de que o homem tem necessidade de espalhar seus genes e ter muitas parceiras, mas a mulher é monogâmica, tem pouco impulso para o sexo. Parodiando um velho ditado, “conversa mole em cabeça dura, tanto bate até que vira senso comum”.

Se as mulheres tivessem de fato menos apetite sexual e fossem por natureza tão devotadas a um homem só, por que nas sociedades primitivas elas seriam tão severamente punidas quando praticavam sexo extraconjugal? Na Antiguidade, uma mulher infiel não tinha o direito de permanecer viva. Na Índia, o marido possuía permissão para matar a adúltera e, na China e no Japão, esperava-se que a esposa infiel cometesse suicídio. Enquanto as pobrezinhas enfrentavam toda essa repressão, os homens formavam sultanatos com aval de toda a sociedade. Pode-se, diante disso, afirmar que as mulheres são naturalmente tímidas e recatadas sexualmente?

Helena de Tróia, filme de 1956


Nas sociedades maometanas, as mulheres usam véus porque são consideradas extremamente sedutoras, enquanto nas culturas africanas é costume extirpar o clitóris para refrear a libido feminina.

No Ocidente, escritores talmúdicos do início da Era Cristã determinavam que era dever do marido copular com as esposas diariamente, exatamente por entenderem que as mulheres tinham um impulso sexual mais elevado do que o dos homens. Daí a angústia, tipicamente feminina, como a entende o filósofo Kierkegaard. No livro Conceito de Angústia, ele explica que a mulher é um ser espiritual como o homem, mas muito mais sensual, por isso se angustia.

Diante desses dados, fica difícil acreditar que a mulher traísse menos porque tinha menos desejo sexual. Ela traía menos porque era muito reprimida e hoje trai mais porque está se dando o direito de reconhecer a insatisfação com o casamento. Ou seja, depois de séculos “casando” com o casamento, que mantinha em pé a custo de dolorosas renúncias pessoais, a mulher agora está se comprometendo com a própria felicidade.

O escritor Moacir Costa lembra que, até bem pouco tempo, havia enormes tabus que a mulher não podia ultrapassar na cama. Sexo oral, por exemplo, era coisa de puta. Graças a toda revolução de costumes dos últimos trinta anos, essas fronteiras foram vencidas e, agora, o prazer total justifica qualquer loucura entre quatro paredes. Ótimo, mas ainda não é o final feliz.

Moacir Costa acredita que a infidelidade tenda a diminuir a partir do momento em que as pessoas se derem o direito de terminar o relacionamento quando bem desejarem, sem traumas. Para ele, a traição indica uma crise de amadurecimento, e pode-se pensar nessa crise em nível pessoal e social.

Francesca de Rimini, personagem da Divina Comédia, de Dante


Ou seja, o casamento, como instituição, assume novas configurações à medida que a sociedade muda. No futuro, pode ser que os relacionamentos fiquem mais curtos e verdadeiros. Com isso a infidelidade acabará?

Provavelmente não. A antropóloga americana Helen Fisher, que estudou o amor natural em sociedades de todo o mundo e de todos os tempos, afirma que o adultério é um impulso quase incontrolável entre os primatas. Para ela, nossa tendência para ligações extraconjugais parece ser o triunfo da natureza sobre a cultura. Em resumo, a infidelidade vai pairar sobre nossas cabeças enquanto a civilização humana existir no planeta.


Portal Vermelho

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Estudo liga status e dinheiro a satisfação sexual em mulheres

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Casal na cama | Crédito: Corbis
Segundo estudo, renda e poder conferem maior independência às mulheres, impactando positivamente no sexo

Um estudo conduzido por pesquisadores espanhóis constatou que a renda e o status influenciam na satisfação sexual das mulheres.

Segundo a pesquisa, quando mais dinheiro e poder elas tiverem, mais satisfatórias tendem a ser suas relações sexuais.

O levantamento foi realizado pela Agência de Saúde Pública de Barcelona, na Espanha, a partir da análise das respostas de 10 mil pessoas a um questionário de saúde sexual do governo espanhol de 2009.

De acordo com os autores do estudo, a renda e o status conferem às mulheres maior independência, o que estaria intimamente ligado ao prazer sexual.

Eles dizem que o conforto socioeconômico permite uma liberdade maior ao sexo feminino para explorar suas fantasias sexuais e ter maior controle sobre o uso de métodos contraceptivos.

Mulheres com mais dinheiro também tendem a se envolver menos em relações abusivas, assim como têm menos chances de sofrer estupro ou agressão sexual.

Além disso, elas tendem a abandonar relações abusivas mais cedo do que mulheres mais pobres ou mesmo procurar mais rapidamente auxílio profissional ou aconselhamento, acrescentam os pesquisadores.

Segundo Dolores Ruiz, da Agência de Saúde Pública de Barcelona, responsável pelo estudo, mulheres com melhor nível sócio-econômico "tem maior consciência de suas preferências e maior capacidade de desenvolver sua sexualidade de maneira a lhes garantir maior satisfação sexual".

Por outro lado, "pessoas mais pobres alegam ter relações sexuais menos satisfatórias, o que impacta as mulheres mais especificamente, que parecem ser mais influenciadas por esses fatores".

"As mulheres de nível socioeconômico mais baixo também relatam sofrer mais experiências de abuso sexual", acrescenta Ruiz.

O estudo também mostrou que as mulheres afirmaram ter relações sexuais mais prazerosas quando mantêm uma relação estável em detrimento do sexo casual.

No geral, nove entre dez homens e mulheres relataram estar satisfeitos com a sua vida sexual.

Entre os homens, 97% dos que afirmaram ter uma relação estável relataram estar satisfeitos comparado a 88% daqueles que praticavam sexo casual.

Por outro lado, 96% das mulheres com um parceiro fixo disseram estar satisfeitas com sua vida sexual, comparada a 80% daquelas que praticavam sexo casual.

Os autores do estudo esperam que as descobertas possam levar à criação de políticas de saúde pública voltadas para o uso de contraceptivos e a redução de casos de abuso sexual entre as famílias de baixa renda.

A pesquisa foi publicada na revista científica Annals of Epidemiology.

BBC Brasil


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

10 coisas bobas que afetam a maneira como você vê o mundo

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Imagine viver em um mundo onde nada foi definido, onde a menor mudança poderia torcer sua percepção da realidade. Você ficaria louco, certo? Bem, aqui vai um segredo: você está vivendo neste mundo agora. Sim, por mais que nós gostemos de pensar que temos algum controle sobre essa coisa chamada “realidade”, a verdade é que o mais ínfimo acontecimento pode alterá-la de maneiras inesperadas. Confira 10 destes exemplos na lista abaixo:

10. A cor vermelha retarda sua percepção do tempo


Você se lembra do primeiro filme “Matrix”? Lembra o quão empolgados todos nós ficamos quando vimos a cena em câmera lenta pela primeira vez? Bem, tente lidar com essa informação: tudo que você precisa fazer para experimentar a sua própria versão barata disso é olhar para a cor vermelha.

Em 2011, um grupo de cientistas em Londres aproveitou o número absurdo de visitantes do Museu da Ciência para organizar um experimento de grande escala bizarro. Ao banhar as pessoas em luzes de cores diferentes e lhes pedir para informar sobre quanto tempo eles sentiram que tinha passado, os pesquisadores descobriram que um minuto dura mais tempo quando o mundo é vermelho. Especificamente, eles descobriram que dura uma média de 11 segundos a mais.


De acordo com o autor do estudo, o vermelho nos faz bastante conscientes do nosso ambiente. Esta hiperconsciência significa que o nosso cérebro é inundado com detalhes, que por sua vez fazem com que o tempo pareça abrandar. Você pode não ser capaz de desviar de balas, mas pelo menos tem um acréscimo de 11 segundos para se perguntar por que você está sendo alvo de tiros.
9. Música pode afetar a satisfação que você sente ao comer



Você já foi a um de seus restaurantes favoritos, mas acabou achando que a comida estava com um gosto inexplicavelmente terrível? Seu instinto natural foi, provavelmente, culpar o chef, mas há outra possibilidade: o gerente pode ter simplesmente tocado o tipo errado de música.

Em 2012, pesquisadores do estado norte-americano de Illinois dividiram um restaurante fast food em duas seções. Em uma seção tocava música suave, com pouca luz, enquanto a outra parte foi deixada como eles encontraram. Eles então monitoraram os hábitos alimentares dos clientes em ambas as seções e em seguida pediram que eles avaliassem o quanto apreciaram a comida. Os clientes sentados na seção da calmaria comeram menos de sua refeição e relataram ter gostado muito mais. Por outro lado, os da seção “normal” acharam que os pratos não estavam tão bons e comeram menos. Então, da próxima vez que você decidir que odeia um restaurante, preste atenção na música do ambiente. Ela pode ter um impacto maior do que você pensa.

8. Estresse muda quem você acha atraente



Algumas pessoas gostam de loiras, outros preferem as morenas, mas todos podemos concordar que a maioria de nós provavelmente tem um “tipo” que procuramos em um parceiro. Se você já se perguntou por que sente atração por esta subparcela da população, provavelmente assumiu que tem a ver com a natureza ou o instinto. Porém, isso está errado. O que acontece de fato é que a escolha de quem nós gostamos pode vir a ser pouco mais do que quão estressados nós estamos.

Em 2012, um grupo de pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, decidiu praticar alguma crueldade arbitrária, reunindo 81 homens e deixando 40 deles o mais estressado possível. Antes que pudessem romper em lágrimas, os cientistas rapidamente mostraram aos homens 10 fotos de mulheres com peso variando de muito magro para obeso, e pediu que eles avaliassem sua atratividade. Os resultados: era mais provável que o grupo estressado achasse as mulheres mais pesadas mais atraentes em comparação com a metade do grupo que estava descontraído.

Por mais esquisito que uma correlação dessas possa parecer, ela vai de encontro a outras descobertas que sugerem os homens sob pressão se sentem atraídos por mulheres mais gordinhas. Um estudo separado apresentado na revista “Psychology Today” relatou que os homens famintos acham seios grandes mais atraentes do que os homens que acabaram de comer – sugerindo que a coisa toda é uma sobra evolutiva de quando a comida era escassa e “ficar estressado” significava “provavelmente vai morrer de fome”.

7. Controle de natalidade afeta seu olfato




Após esse último tópico dominado por homens, aqui está um exclusivo para as nossas leitoras. Se você está tomando a pílula anticoncepcional, há uma chance muito boa que ela esteja alterando o seu olfato.

Algum tempo atrás, pesquisadores na Itália decidiram monitorar como o ciclo menstrual afetava o olfato feminino. Ao testar a sua capacidade de detectar cheiros em seis pontos diferentes ao longo do mês, eles descobriram que a maioria das mulheres se torna incrivelmente sensível ao odor durante a ovulação – a não ser aquelas que estavam tomando pílula. Após três meses de uso de anticoncepcionais, os indivíduos do sexo feminino não eram capazes de detectar aromas sutis no seu momento mais fértil.

E aqui está o mais importante: acredita-se que esses aromas sutis podem determinar quem você acha atraente e mudá-los pode mudar também a sua percepção de como você é atraído para um parceiro. Então, da próxima vez que você vir a si mesma acordando ao lado de um homem menos-que-ideal, se arrependendo e se perguntando como você entrou nessa situação, culpe a pílula.

6. Horário de verão o transforma em um mau trabalhador



Quantos de vocês estão lendo isso enquanto deveriam estar trabalhando? Não se preocupe, todo mundo faz isso. E aqui está a boa notícia: você tem uma desculpa. O simples ato de mudar o seu relógio uma hora para frente ou para trás pode torná-lo mais propenso a perder tempo na internet durante o horário de trabalho.

Pesquisadores de todo o mundo estudaram recentemente o equivalente a seis anos de dados do Google para descobrir o que as pessoas estavam procurando em um determinado dia. Eles descobriram que na segunda-feira após uma mudança de horário, o número de pessoas à procura de sites de entretenimento disparava. E, enquanto alguns desses usuários estavam, sem dúvida, navegando de casa, você não pode ignorar que vários estavam no escritório.

De acordo com os autores do estudo, esta variação no comportamento provavelmente se deve ao cansaço, que afeta o autocontrole das pessoas. Em uma experiência separada, a mesma equipe descobriu que os indivíduos passaram 8,4 minutos extras navegando através de artigos para cada hora de sono perdido na noite anterior.

5. Pensar sobre o dinheiro pode afetar sua moral



Cada um de nós gosta de pensar que somos pessoas morais. Bem, acontece que apenas o pensamento de dinheiro pode levar você a tomar decisões moralmente falidas.

No ano passado, um grupo de pesquisadores das Universidades de Harvard e Utah (ambas dos EUA) realizou um experimento envolvendo jogos de palavras seguidas de atividades relacionadas a negócios. Durante a rodada de jogos, um número de indivíduos foi inconscientemente exposto a palavras relacionados com dinheiro, enquanto o resto ouviu frases “neutras”. Então, todos tiveram que tomar decisões de negócios com um componente moral. Quer adivinhar o que aconteceu?

Aqueles que tinham sido expostos a palavras relacionadas ao dinheiro – como “custo”, “gastar” ou “comprar” -, abandonaram alegremente sua moral em favor de mentiras e enganos, mesmo quando isso não lhes dava vantagem alguma. O simples pensamento de dinheiro, removido de qualquer contexto, era aparentemente o suficiente para lançar sua bússola moral fora de sintonia, na medida em que o comportamento antiético como mentir parecia facilmente justificável.
4. Café pode torná-lo menos suicida



Todos nós já tivemos dias em que nos sentimos como se o mundo fosse um lugar frio e assustador. Para algumas pessoas, esses dias parecem intermináveis e pode parecer que só há uma saída. Contudo, de acordo com pesquisadores de Harvard, pode haver uma maneira absurdamente fácil de mudar a sua percepção negativa do mundo: basta beber uma xícara de café.

Em um estudo gigantesco que acompanhou cerca de 200 mil pessoas ao longo de 20 anos, os pesquisadores acompanharam as taxas de suicídio entre aqueles que beberam ou não café em uma base regular. Estranhamente, eles descobriram que aqueles que consumiam ao menos um único copo por dia tiveram seu risco de suicídio reduzido em cerca de 50%. E isso parece estar intimamente ligado à cafeína – ao invés de qualquer outra coisa que podemos encontrar no café. Tanto é que as pessoas que optaram pela bebida descafeinada estavam exatamente no mesmo barco que aqueles que ficaram longe do café completamente.

A teoria é que a cafeína age como um antidepressivo leve, pois aumenta a produção dos neurotransmissores do cérebro. Mas aqui está o problema: tomar café demais é pior para você. O ponto ideal é entre duas e quatro xícaras por dia. Um estudo finlandês separado deste primeiro concluiu que beber oito ou mais xícaras aumenta o risco de automutilação e suicídio, o que significa que esta é uma solução milagrosa que definitivamente só funciona com moderação.

3. Assistir TV pode torná-lo mais sexista



Nesta era iluminada de 2014, a maioria de nós provavelmente já descobriu que não é legal cumprimentar as mulheres com assobios e uma piada tosca sobre cozinha. Porém, de acordo com uma recente pesquisa publicada no “Journal of Communication”, cada um de nós está, aparentemente, a apenas um episódio de TV de distância de ser uma versão um pouco mais machista de nós mesmos.

Parece inacreditável, mas assistir a um programa de TV com personagens femininos fracos e em perigo pode fazer que os homens pensem mais negativamente a respeito de mulheres. Para provar isso, os pesquisadores mostraram a um grupo de 150 estudantes um dos três programas: um show de horror, onde um personagem passivo feminino sofria abuso, um episódio da série da “Gilmore Girls” para o grupo de controle ou um episódio de “Buffy, a Caça Vampiros”, que tem um forte liderança feminina. Em seguida, testaram os participantes com perguntas sobre seus pontos de vista sobre o papel dos homens e das mulheres.

Como você deve ter adivinhado, eles descobriram que aqueles que tinham visto a mulher passiva sendo abusada tinham ideias mais negativas sobre mulheres em geral e mais probabilidade de falar alguma bobagem machista do que aqueles que assistiram os outros programas. É incrível o tipo de impacto que a TV pode ter sobre a nossa mentalidade.

2. Fast food pode fazer arte e beleza parecerem chatas



Alguns meses atrás, pesquisadores em Toronto, no Canadá, decidiram testar os efeitos do fast food na nossa capacidade de saborear as coisas boas da vida. Para fazer isso, eles reuniram duas centenas de pessoas e mostraram-lhes algumas fotos de fast food, seguido de algumas fotos maravilhosas da natureza. Eles, então, pediram aos participantes para avaliar quanto prazer extraíram das fotos.

Quase sem exceção, os que tinha visto as imagens de fast food de antemão classificaram sua satisfação como significativamente mais baixa do que aqueles que não tinham. O simples pensamento de um hambúrguer e batatas fritas aparentemente pode diminuir a sua capacidade de apreciar a beleza natural.

Quando os pesquisadores repetiram o experimento com um grupo diferente, usando uma ária de ópera ao invés de imagens artísticas, os resultados foram idênticos. Aqueles que estavam pensando em fast food acharam difícil apreciar a música e estimaram que tinha se passado muito mais tempo do que aqueles que tinham visto apenas fotos “neutras”. De acordo com os autores do estudo, é provável que nossas mentes liguem coisas convenientes (como fast food) com impaciência, o que significa que já não sentimos que temos tempo para coisas intangíveis como mérito artístico.

1. Sua percepção de tempo depende do seu sexo



Lembram de “Te Amarei para Sempre”? O filme choroso é sobre o quão difícil a vida é para um casal que experimenta o tempo de maneiras diferentes, e como isso afeta seu relacionamento. Bem, aqui está algumas curiosidades para você refletir: se você está em um relacionamento, a mesma coisa está acontecendo com você agora – e seu marido não precisa nem mesmo estar viajando no tempo.

Ao longo dos anos, uma série de estudos parece sugerir que homens e mulheres experimentam o tempo de forma diferente. Em 1992, os pesquisadores descobriram que homens e mulheres que ficaram uma sala escura e com poucos ruídos estimaram o tempo passado de maneira muito diferente. Alguns anos mais tarde, um outro estudo descobriu que mulheres em estados de espírito negativos sentiam que o tempo passava mais rápido do que suas contrapartes masculinas. Mal chegamos em nossa era presente e ainda mais estudos parecem confirmar estes achados.

Agora, devemos salientar que a pesquisa nesse campo parece longe de ser conclusiva. Ainda assim, ela levanta algumas questões interessantes – que você e seu parceiro podem muito bem experimentar o tempo em velocidades ligeiramente diferentes, por exemplo. [Listverse]


Autor: Jéssica MaesJornalista de 22 anos, acompanha mais seriados do que deveria, é abastecida por doces e livros e, não importa o que digam, sempre acreditou em Severus Snape.




Hypescience



quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Da eterna falácia do relacionamento masculino compulsório

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João Baldi Jr.

Ainda que o mundo esteja evoluindo lentamente em direção a uma situação mais igualitária entre os gêneros — não estou dizendo que todo mundo esteja ajudando, apenas que acredito que a gente vá chegar lá –, ainda vivemos numa época em que alguns dos papéis masculinos e femininos são vistos com coisas bem delimitadas.

Homens são mais agressivos e mulheres são mais sensíveis enquanto homens são mais assertivos. Mulheres são mais carentes e homens não querem falar sobre sentimentos enquanto mulheres só querem falar sobre sentimentos (eventualmente parando para falar sobre gatos e chocolate, mas necessariamente voltando a falar sobre sentimentos).
E, no meio de todos esses estereótipos e definições, que com imensa freqüência se mostram cada vez mais falsos, existe um dos mais arraigados e que mais começou a me incomodar conforme fui chegando na vida adulta e lidando com relacionamentos mais estáveis como namoros, noivados e casamentos: a premissa do homem enquanto eterno contrariado na relação.


São vários os sinais, que vão desde as manifestações das partes até a postura daqueles em torno, reagindo consciente ou inconscientemente. O bolo de casamento com o noivo sendo arrastado pela noiva, como que se obrigando a casar. Tem a camisa de casado onde se lê “game over”. Existe o fato de que as amigas da noiva estão felizes porque ela está se comprometendo, mas os amigos do noivo estão ironicamente dizendo que ele vai se “enforcar”.
O simples conceito de despedida de solteiro, que nasceu como ritual masculino, passa meio que uma ideia básica de que o noivo tem direito a uma última noite de diversão porque a boa vida vai acabar, enquanto a namorada está em casa recebendo uma coleção de tupperware. “Eba”, imagino a garota dizendo.
Mas essas coisas não se limitam necessariamente ao casamento. Existe toda uma gama de marcadores textuais, desde o cara se referindo a namorada como “patroa” — o que inevitavelmente dá ao namoro uma ideia de trabalho, como se fosse algo que ele é obrigado a fazer — até o fato de que, com freqüência — tanto na realidade quanto na ficção — é sempre visto como um tremendo esforço masculino fazer coisas que “agradem a mulher”, como ir a um teatro e assistir um filme romântico, como se, mesmo dentro dessa lógica, não representasse também um imenso esforço feminino tolerar um futebol ou maratona do Rambo.
Tudo isso para transmitir uma ideia de que, no geral, as mulheres são as interessadas no relacionamento e os homens, que obviamente preferiam estar solteiros, aceitaram aquilo como algum tipo de concessão, que lutam diária e bravamente para suportar, sem nunca conseguir esconder totalmente seu desconforto e sua inconformidade com essa norma social que poda sua natureza de machos livres, que possivelmente andariam pelas pradarias praticando o extrativismo vegetal e o sexo animal.
Ou posso ter exagerado um pouco. Eu mesmo não sei diferenciar a maior parte das árvores.
Mas não, nem estou aqui para discutir o inevitável machismo desse tipo de pensamento — o homem foi feito para ser livre, a mulher foi feita para ficar em casa — ou mesmo todas as implicações sociais desse tipo de mentalidade (pensando assim, você cria sua filha para namorar e seu filho para transar).
Na verdade, eu quero apenas tocar em um ponto bem menor e, talvez, bem mais particular, que é o fato de que quando você faz isso, tanto quanto machista, você está sendo bastante babaca.
Shotgun Wedding Bride Groom Cake Topper Gun
Imagine se a sua namorada te chamasse de “chefe” e tratasse ficar contigo, mesmo que brincando, como um trabalho. Imagine ouvir as amigas dela dizendo na sua frente que agora ela se enforcou, que a boa vida vai acabar, é se preparar pra aguentar chateação e transar pouco.
Pensa que lindo ficaria um bolinho com você sorrindo e a noiva chorando e ela, de vez em quando, ressaltar o quanto é complicada essa coisa de namorar porque a vontade dela era continuar solteira mesmo. Muito provavelmente a sua reação não seria de conformidade ou uma risada constrangida, seria na maior parte dos casos um “pode ir embora então que ninguém aqui tá te prendendo”, que é o que, num mundo real, qualquer pessoa faria diante desse tipo de coisa.
Mas não. Sua namorada provavelmente não o faz.
Então, mesmo se você não puder fazer isso por questões ideológicas, por conta das conquistas femininas, por qualquer motivo mais elevado ou conceitual, vale a pena fazer isso em respeito a sua esposa, namorada, parceira, ficante. Menos camisa game over, menos tipinho, menos papo sobre os tempos de solteiro como se eles consistissem em pegação sem limites e não em noites jogando Age of Empires e um pouco mais de percepção de que não é vergonha nenhuma admitir que você está tão investido emocionalmente em algo quanto a pessoa do seu lado e ninguém vai ser menos homem por causa disso.
Mesmo porque, se estar com ela fosse mesmo um trabalho, um comportamento assim já estaria gerando justa causa.


João Baldi Jr.João Baldi Jr. é jornalista. Turn ons: quadrinhos, ficção científica, humor de borda e pão de fôrma com requeijão. Escreve no (www.justwrapped.me/) e discute diariamente os grandes temas - pagode, flamengo, geopolítica contemporânea e modernidade líquida. No Twitter, é o (@joaoluisjr)


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PapodeHomem

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Este aplicativo bizarro substitui o seu rosto em tempo real usando uma webcam

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Nicolas Cage não ganhou papéis muito significativos nos últimos anos, mas filmes mais antigos com o ator possuem até certa relevância. Um deles é "A Outra Face", de 1997. Na trama, Cage é um agente do FBI que troca de rosto com um terrorista (interpretado por John Travolta) para descobrir onde uma gigantesca bomba está localizada no centro de Los Angeles.
Diferente da história do filme, na qual foi usada uma técnica mega-revolucionária, ter o rosto de outra pessoa não é mais tão complicado assim. Isso graças a um projeto criativo (e assustador) do programador Audun Mathias Øygard, que desenvolveu um sistema de reconhecimento facial em tempo real que pode substituir o seu rosto pelo de qualquer outra pessoa. E tudo usando apenas uma webcam.
Intitulado CLMtrackr, o conceito é baseado em um código open-source de JavaScript que mapeia 70 pontos distintos da sua face. Feito isso, o programa "encaixa" o rosto de alguém no seu e, por acontecer naquele instante, ele se adapta simultaneamente aos movimentos que você fizer. A ideia é divertida, mas o próprio Øygard admite que sua criação é um tanto bizarra.
"Realmente, é um efeito muito estranho 'vestir' o rosto de outra pessoa quando você está acostumado a se olhar no espelho", disse ao site Fast Company. Até o momento, estão disponíveis retratos como Walter White ("Breaking Bad"), Exterminador ("O Exterminador do Futuro"), George Clooney, Justin Bieber, Kim Kardashian, Rihanna, Audrey Hepburn, Sean Connery, Barack Obama, Picasso, Mona Lisa (de Leonardo Da Vinci) e claro, de Nicolas Cage.
É claro que o aplicativo ainda precisa de melhorias – se você virar a cabeça muito para o lado, a face selecionada fica travada em determinado momento. Mas não é difícil de imaginar que esse tipo de tecnologia pode ser uma das ferramentas mais usadas daqui alguns anos, principalmente por aqueles que preferem esconder sua verdadeira identidade na internet.
"Acredito que um monte de coisas estão se fundindo agora para que seja possível aumentar ou modificar sua percepção da realidade. E a substituição de rostos é uma das coisas que ficará muito melhor ao longo do tempo", afirma Øygard.
O CLMtrackr é gratuito e pode ser testado neste link, desde que você tenha uma webcam.
clmtrackr
Geek

Ninfomania: histórias de mulheres que mostram quando o sexo vira doença

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Transar sem parar. Pensar só naquilo. e recomeçar, até chegar ao orgasmo e ao desespero. essa é a saga de "Ninfomaníaca", o novo filme de Lars Von Trier, que estreia nesta sexta (10) no Brasil. para investigar a patologia que paira entre o prazer e a agonia, Marie Claire ouviu especialistas e colheu depoimentos exclusivos (e atordoantes) de quem vive o problema no dia a dia


O elenco do filme Ninfomaníaca simula o êxtase nos cartazes (Foto: Divulgação)
Duas garotas bonitas embarcam num trem noturno, vestindo, em suas próprias palavras, “roupas para foder”. A intenção das amigas é justamente essa: transar, transar, transar. Não importa com quem ou onde. Valem até os banheiros sujos dos vagões. Quem colecionar mais “presas” ganha uma aposta. O prêmio, uma inocente caixa de chocolates, é só um pretexto para dar vazão ao que realmente importa para elas: alimentar um ímpeto sexual descomunal. A overdose de sexo termina quando uma delas invade a cabine de um passageiro e, com uma delicadeza perversa, faz sexo oral no homem, engolindo todo seu esperma. A vitoriosa é Joe, protagonista de "Ninfomaníaca", vivida pela modelo Stacy Martin na juventude e por Charlotte Gainsbourg na fase adulta. No esperado filme do polêmico diretor Lars Von Trier, que estreia nesta sexta (10), além de transar com Deus e o mundo, Joe consegue combinar o figurino de periguete com semblante inocente e uma voz suave, que anuncia o tom ambíguo da história.
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Uma outra ambiguidade acomete as mulheres que sofrem dessa doença psiquiátrica na vida real: em nossa sociedade hipersexualizada, o termo “ninfomaníaca” é um grande elogio. Ele é associado a uma mulher liberada e sexy, que conquista o homem que quer e é capaz de proporcionar, para ele e para ela, os orgasmos mais intensos e inesquecíveis. Só que esse tipo de sedutora, que exercita sua curiosidade e liberdade sexual, para de transar quando quiser. A ninfomaníaca de verdade, não. O perfil da compulsiva sexual é tão angustiante quanto o de uma viciada em drogas ou comida: ela não tem controle. Isso significa que não consegue parar de transar ou de pensarem sexo mesmo que queira. O termo que melhor define a diferença entre esses dois mundos é sofrimento. “Avaliar o grau de dor e prejuízo que o comportamento acarreta é fundamental para o diagnóstico”, diz o psiquiatra Marco Scanavino, “já que uma mulher pode adorar sexo e ter vários parceiros sem que isso seja um problema”. Embora existam estudos americanos recentes definindo como “hiperativa” a mulher que tem nove ou mais parceiros em três meses, nem toda hiperatividade é patológica. Daí a dificuldade de se diagnosticar uma ninfomaníaca.
Segundo Scanavino, que é coordenador do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo (ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo), o transtorno se configura quando, em função de suas fantasias ou práticas sexuais, a mulher prejudica a saúde, contrai DSTs, perde a concentração e deteriora suas relações, isolando-se da família e dos amigos, de quem esconde suas atividades. Scanavino diz que às vezes as pacientes usam o sexo para aliviar sintomas de depressão ou ansiedade, e podem sofrer como outras compulsões, como álcool, drogas ou comida. Há tratamento psiquiátrico para as ninfomaníacas, mas ele não é simples. Costuma combinar medicamentos com psicoterapia. Mas, diferentemente do que acontece no caso de álcool e drogas, onde o objetivo é abstinência total, no caso dos dependentes de sexo (ou de comida), a meta é retomar o autocontrole. Daí as chances muito maiores de recaídas.
O termo “ninfomania”, alusivo às ninfas gregas, refere-se exclusivamente à compulsão sexual feminina (para os homens, o termo é “satiríase”, de sátiros). Essa nomenclatura, entretanto, caiu em desuso entre os médicos: hoje os manuais de psiquiatria chamam o transtorno de Apetite Sexual Excessivo ou Impulso Sexual Excessivo – que pode acometer ambos os gêneros, mas é muito mais comum na ala masculina. A proporção de pessoas que buscam tratamento é de 8 homens para cada mulher, de acordo com Scanavino. No cinema, o filme Shame (2011) abordou a compulsão do homem. Lars Von Trier preferiu focar na mulher, colocando Joe sob camadas de poesia e pecado, fazendo-a penetrar na floresta da infância e confessar:

“Eu me rebelo contra o amor,” diz a personagem.
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LUXÚRIA E AMOR

“A maior dificuldade das ninfas é conseguir articular sexo, desejo e amor de uma forma que não seja compulsiva", afirma o psicanalista Christian Dunker, professor do Departamento de Psicologia da USP e autor de O Cálculo Neurótico do Gozo. “Há mulheres que buscam o sexo para diminuir a angústia e preencher um vazio, outras se entregam à compulsão, achando que assim eliminarão a dependência causada pelo amor”. O medo de intimidade e de estabelecer vínculos é quase um clichê atual, mas entre as ninfomaníacas, é levado às últimas consequências. “O transtorno revela um lado sombrio do sexo, que passa a funcionar como uma droga”, diz a Dra. Carmita Abdo, psiquiatra especialista em medicina sexual e coordenadora do Prosex, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O desgaste é enorme, pois a mulher não investe tempo e energia apenas no sexo em si, mas em tudo que o envolve, como a busca de parceiros e pensamentos obsessivos”. Na “fissura”, muitas correm o risco de se degradar fisicamente. Foi o que aconteceu com Lúcia* (leia depoimento abaixo) que chegou a se prostituir para dar vazão à libido.
No dia seguinte, não há aquela sensação agradável e de intimidade que costumamos ter após uma noite incrível de sexo. A ressaca pós-coito traz culpa, repugnância, vergonha, tédio. Por muitas vezes, inclusive, a ninfomaníaca não chega ao orgasmo. Sandra* só foi ter seu primeiro êxtase aos 41 anos, embora tenha sido compulsiva desde a adolescência. “Algumas pessoas até têm condições de desfrutar do sexo e sentir prazer, mas, mesmo assim, continuam buscando preencher uma necessidade emocional não satisfeita”, afirma a Dra. Vera Regina Fonseca, psiquiatra, psicanalista e Diretora Científica da SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo). “A principal diferença entre ter um desejo sexual forte, como o de uma paixão, e sofrer de uma obsessão, é a incapacidade de construir ligações afetivas reais com o parceiro a partir da experiência na cama”, diz ela.
Como outros transtornos psíquicos, as causas têm a ver com predisposição genética, no caso de pacientes que têm familiares que sofrem algum tipo de compulsão; e condições ambientais desfavoráveis, como as pessoas que tiveram relações muito complicadas na família ou na escola. O exemplo mais gritante é o abuso sexual na infância, mas não existem regras de causa e efeito, pois há pessoas que sofreram violência e não são compulsivas e vice-versa. “O fundamental”, diz Dunker, “é entender as motivações da mulher ao fazer sexo”. Ela é movida por curiosidade ou ressentimento? Anestesiou seus afetos? Para Dunker, “o imperativo de gozar a qualquer preço é a nova modalidade do mal-estar contemporâneo e pode dar origem a um sofrimento profundo”. Os depoimentos desta reportagem mostram até onde a compulsão pode chegar.
CENA DO FILME "NINFOMANÍACA", QUE ESTREIA NESTA SEXTA (10) (Foto: Divulgação)
“NA FISSURA, VIREI GAROTA DE PROGRAMA”
Lucia * , 24 anos, vendedora de sex shop
Aos oito anos, descobri onde meu tio guardava seus filmes pornôs. Via escondida e ficava fissurada nas cenas. Sentia muito tesão e me tocava, mas tinha vergonha daquilo. Meus pais acabaram flagrando minhas masturbações, mas sempre foram pessoas simples. Devem ter achado que passaria com o tempo. Na adolescência, passei a temer que os caras não quisessem nada comigo, porque sempre fui gordinha.
Um dia, meu primo estava em casa e falei que queria fazer sexo oral nele. Tínhamos 15 anos. Gostei e fiz o mesmo com o colégio inteiro. Fiquei mal falada, as amigas se afastaram. Comecei a praticar sexo anal nessa época, mas demorou para perder a virgindade propriamente dita – talvez por medo de engravidar... Rolou aos 19 anos com um cara que conheci na balada, doeu, foi horrível. Como diziam que ficaria prazeroso com o tempo, procurei outros e outros e outros.
Um dia, me vi sem controle, transando com qualquer um. Meu recorde foram seis caras diferentes em 24 horas. Nem sempre eu gozava, mas tinha prazer em dar prazer. Minha mãe percebeu: ainda morava com ela e muitos caras batiam na minha porta. Às vezes eu transava no carro na frente de casa. Foi ela quem me convenceu a ir a uma psicóloga. Após algumas sessões, abandonei. Não queria ouvir que era doente porque isso poderia bloquear o meu prazer. Por indicação dessa psicóloga, aos 20 anos cheguei a visitar um grupo de mulheres viciadas em sexo e me identifiquei com os depoimentos.
Vi que tinha algum problema, mas como eu não achava que sofria tanto como elas, desisti de novo. Naquela época, tinha me formado no Ensino Médio e queria ganhar meu dinheiro. Inventei para a minha mãe que tinha arrumado um emprego com eventos e ia toda noite para a boate, onde tirava até R$2,5 mil por mês como garota de programa. Achava que seria fácil pra mim, mas não durou cinco meses, porque não podia escolher os clientes, tinha que transar com velhos e fedidos. E olha que não tenho pudores. Já transei com mulheres, com três caras ao mesmo tempo, participei de swings. Sou viciada, não consigo ficar dois dias sem sexo.
Adoro ser encoxada no ônibus. Nas baladas, acabo fazendo sexo no banheiro ou na rua – gosto de ser vista. Já transei várias vezes sem camisinha com estranhos. Peguei doenças, mas nunca engravidei. Nada me impede de continuar. Há um ano trabalho como vendedora numa sex shop e, apesar do risco de ser demitida, cheguei a fechar a loja para fazer sexo com um cliente. Além dos desconhecidos, tenho uns dez P.A.s (‘pintos-amigos’), só ligo quando quero transar e vice-versa. É assim, sem jantar nem cinema. Não tenho paciência quando o cara fica meloso. Nunca tive namorado, só me apaixonei uma vez. O sexo era ótimo, mas acho impossível ser monogâmica. Além disso, não confio em homem. Sei que nenhum vai ficar só comigo. Desde criança, eu sabia que meu pai traía minha mãe e odiava isso. Eles se separaram há três anos. Por que deveria abrir mão da vida que levo e parar de transar? Eu só deprimo na TPM: fico chorando no quarto, não quero transar. Tomo muitos banhos, me sinto suja e culpada. Mas logo passa.Não penso em me tratar, mas tenho vontade de fazer uma faculdade de psicologia e me especializar em sexologia”.

Marie Claire

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Conheça as 5 características das boas ideias

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Boas ideias existem aos montes e em todos os lugares do planeta. Mas como saber se a sua boa ideia irá se espalhar e atingir diversas pessoas? Veja como!


Crédito: Shutterstock.com É importante que a sua ideia seja compatível com a realidade.

O sucesso de uma ideia não depende exclusivamente da qualidade dela. Além de ser boa, é importante que essa ideia tenha algumas outras características para que ela se espalhe e seja incluída no dia a dia das pessoas. Se você quer que suas boas ideias sejam reconhecidas, confira a seguir 5 dicas para conseguir isso:



1 – Vantagem relativa

As ideias boas, no geral, possuem uma vantagem relativa, ou seja: elas trazem soluções melhores ou novos conceitos para o público. Quanto mais diferente e criativa a sua ideia, maiores são as chances dela ser bem aceita e de conquistar os outros. Portanto, boas ideias devem, no mínimo, tornar uma experiência melhor e mais eficiente comparado ao que se faz atualmente.


2 – Testes

Quanto mais fácil for para as pessoas testarem a sua ideia, mais sucesso ela irá fazer. Além disso, quanto mais pessoas entrarem em contato com as suas ideias, mais aceita ela será por outros. Um grande exemplo disso é o que alguns artistas têm feito: antes mesmo de lançar um novo álbum musical, eles disponibilizam algumas faixas gratuitas em seus sites e pedem para os fãs fazerem o download. Caso as pessoas gostem, elas podem pagar pelo CD completo. Dessa forma, o artista atrai mais pessoas para a sua obra e fideliza os verdadeiros fãs.


3 – Compatibilidade

É importante que a sua ideia seja compatível com a realidade. Por mais genial que você seja, a sua ideia deve ser baseada em normas, objetos e regras que já existem. Os inventores e artistas que não criavam coisas compatíveis com os paradigmas atuais eram considerados "à frente do seu tempo" e demoravam anos, até décadas, para serem reconhecidos.


4 – Complexidade

Boas ideias até podem ser complexas, mas é importante que você as compartilhe da forma mais simples possível. Afinal, grande parte das pessoas prefere se engajar com coisas simples, e não complexas. Traduza a sua ideia para que ela seja de fácil entendimento e, assim, seja possível atrair mais pessoas.



5 – Exposição

Quanto mais exposta a sua ideia estiver, mais fácil ela irá atingir mais pessoas. Um trabalho que pode ser facilmente observado e comentado possui chances muito maiores de ser reconhecido e atingir o sucesso. Faça com que a sua boa ideia seja bem exposta.

Universia


Dez clichês nos encontros pela internet – e o que eles realmente significam

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Clare Spencer
BBC News Magazine


Especialistas apontam os clichês mais comuns nos perfis de sites de relacionamento
Em janeiro ocorre uma explosão de amor na internet. Os sites de relacionamento são inundados no primeiro mês do ano com pedidos de pessoas que aspiram, como resolução, encontrar o amor de sua vida.
Mas, uma coisa é querer e outra é poder. Apesar das boas intenções, a maioria dos solitários que se voltam para a internet caem em clichês para construir o seu perfil, o que limita severamente sua capacidade de atrair um parceiro em potencial.
Para especialistas frases como "eu adoro rir" ou "minha vida é ótima, só preciso de alguém para compartilhá-la", que querem demonstrar qualidades ou apenas honestidade, muitas vezes podem ser interpretadas como o oposto: "eu não estou feliz" ou "minha vida é um desastre, por favor, venha me salvar."
A BBC conversou com vários especialistas em relacionamentos na internet e encontrou dez "erros" que as pessoas, muitas vezes, fazem quando criam um perfil.

"Sou novo nisso, então vamos lá..."

Para o professor e antropólogo da Universidade de Minnesota, William Doherty, esta frase revela como é desconfortável para uma pessoa a questão de buscar um parceiro pela internet.
"Quando as pessoas estão em uma posição em que eles sentem que há um estigma, eles tentam se desculpar dizendo que não estão familiarizados com o assunto", disse Doherty.

"Eu gosto de caminhadas na praia e de ver o pôr do sol"

Acontece o mesmo que com "adoro rir": não significa nada. Para Helen Fisher, antropóloga que trabalha para o site Match.com, o usuário está tentando expressar amor pela natureza e privacidade.
"Mas quem não gostaria das duas coisas?", disse a especialista.
Para a conselheira em relacionamento Julia Spira, esta frase também significa falta de originalidade. "Colocar isso no perfil passa a ideia que a pessoa tirou a frase de outro perfil na internet."

"Sou um homem de 42 anos que procura mulheres de 27"

Christian Rudder, do blog OK Cupid, diz que a proporção entre homens e mulheres permanece estável em sites de relacionamento, mas a preferência que homens mais velhos têm por mulheres mais jovens altera esse equilíbrio.

"Se você vai a esses sites deve procurar por mulheres que estão na sua faixa etária. E não ir além", disse Rudder.
Por exemplo, para um homem de 31 anos, eu sugiro uma mulher no máximo nove anos mais nova ou quatro anos mais velha. Para um homem de 42 anos, o limite é uma mulher de 27 anos, mas geralmente querem mais jovem, diz Rudder.

Gramática

Não entre nesses sites se você não sabe a diferença entre mau e mal, e acento e assento, recomendam os especialistas.
Os defensores da gramática também estão presentes nestes sites, mas nem sempre é aconselhável usar esse conhecimento para corrigir outros.
"O que está claro é que as pessoas estão à procura de alguém educado para saber a diferença entre mau e mal, pelo menos. A procurar por um parceiro vai muito além de um sorriso bonito", disse Laurie Davis.

"Adoro rir"

A conselheira para relacionamentos online, Laurie Davies, deixa claro que essa é uma das frases mais usadas, porém que gera menos empatia com possíveis pretendentes.
"Quem não gosta de rir?" disse Davies, "O que esta pessoa quer dizer é que ela é uma pessoa divertida e tem um coração generoso, mas isso não significa nada."
Para Davies o problema com esses tipos de frases, como "tento ver o lado positivo em todas as situações", é que elas não favorecem o objetivo principal dos perfis que é iniciar uma conversa, e não construir um registro.

'Quem não gosta de rir?', pergunta a conselheira Laurie Davies
"Você não pode iniciar uma conversa, dizendo 'Eu vejo que você gosta de rir. Eu também adoro'. Já se você ama programas de comédia, isso pode funcionar melhor", disse Davies.

"Adoro viajar"

Para Doherty a pessoa que usa essa frase quer evidenciar que tem um gosto por aventura, e um elemento selvagem na personalidade.
O blog Muddy Matches sugere que falar de viagens é algo que pode iniciar uma conversa, mas que deve haver cuidado. "Não é para se gabar falando de uma excursão, mas sim falar sobre lugares onde esteve e onde gostaria de ir."

"Sou normal"

"'Eu não vou atormentá-lo', é isso que se lê em uma declaração como essa", sugere Doherty.
Não é uma frase para se considerar o sentido literal, disse ele. É sábio suspeitar de uma pessoa que afirma ser uma pessoa "normal".

"Meus amigos dizem que eu sou ... (mais uma lista de adjetivos)"

E a lista é: inteligente, sexy, romântico, fiel, apaixonado, honesto e corajoso, que para a conselheira Erika Ettin são "adjetivos vazios".
"Estes tipos de adjetivos que as pessoas colocam são muito difíceis de provar. Tem que conhecer bem uma pessoa para dizer que ela é honesta, leal e apaixonada. É uma questão de 'não me diga, me mostre'," disse Ettin.
E acrescentou que "uma longa lista de adjetivos não faz muito sentido. Alguns dizem que são engraçados, mas engraçado como? Será que esse humor pode ser apreciado pelo parceiro em potencial? Não faz sentido dizer algo que é melhor mostrar", Davis disse.
Um outro problema é a forma como a frase começa: "Meus amigos dizem."
"Isso sugere que falta confiança. É como se a pessoa não tivesse confiança em si mesmo", disse Davis.

"Gosto de ficar em casa, tomar um vinho e ver um filme"

Essa é uma outra maneira de dizer "Eu gosto de ficar juntinho, na frente da lareira". É uma frase que irrita Helen Fisher, do site Match.com. Ela diz que as pessoas devem evitá-la.
"Essas são as coisas que vemos em filmes. Parece estar relacionada à intimidade e eles não têm a imaginação de criar algo que é significativo para eles. É chato e não mostra a criatividade."

Meus amigos (e família) são muito importantes para mim

Para Ben England, diretor de marketing que durante um mês teve um perfil no site Guardian Soulmates até que encontrou sua namorada, essa é uma das frases mais sem sentido que existem. "Ela diz nada sobre uma pessoa. Me diga alguém que não acha que seus amigos são importantes", disse England.

Seu ponto é que muitas pessoas descrevem seus gostos com coisas que são difíceis de não gostar. "Uma pessoa diz que gosta de um dia de sol. Sério?"
BBC Brasil

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Norueguês fica nu e aborda mulheres em vídeo

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Um norueguês vem chamando atenção na internet após provar que de fato venceu sua timidez. Em um vídeo postado no Youtube neste último domingo (29), o jovem aparece completamente nu andando pelas ruas de uma cidade e abordando outras mulheres.

Nas imagens, o usuário ‘FreddyFairHair’ pede o telefone de diversas garotas enquanto tira suas roupas. Mesmo chocadas com a atitude do rapaz, que afirma ser o mais tímido da classe no tempo de colégio e ainda ter vergonha de tomar banho no vestiário após a educação física, as mulheres são simpáticas à abordagem.

Abordagem 'diferente' do jovem norueguês. (Foto: Reprodução / Youtube)

O norueguês informa ainda que o áudio dos diálogos foi captado por um microfone preso em suas roupas de baixo. Em alguns casos, as mulheres parecem realmente ter passado seus números de telefone.

Ao final do vídeo, que foi visto mais de 230 mil vezes em 24 horas, o norueguês atirado é abordado por policiais e presta esclarecimentos sobre o caso. E você, reagiria com bom humor também?


Yahoo Notícias

sábado, 28 de setembro de 2013

Por Que Ser Dama Na Rua E Puta Na Cama Não Faz Sentido

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Lucas Baranyi
Mulher pra casar não vira a noite na balada. Mulher pra casar se dá o respeito e usa roupas comportadas, ao invés de sair exibindo decote e coxas por aí. Também não fuma, porque sabe que isso é coisa de homem. Beber, então, no máximo uma taça de vinho. Porque cerveja é algo masculino demais e não combina, né? Mais importante ainda: mulher não dá na primeira noite. Se você conseguir levar para o motel assim, sem mais nem menos, é vagabunda na certa. Trate de dar o número de telefone errado e não ouvir nada do que ela está dizendo, porque ela não vale sua atenção. Mulher assim, que bebe sem medo da ressaca, ri sem medo da altura da gargalhada e transa sem medo do orgasmo não é pra ser levada a sério.
Se você conseguiu terminar esse parágrafo sem ter nenhum acesso de gastrite, parabéns. Se você levou a sério e pensou em me xingar, muito obrigado. Em último caso, se concordou com cada linha, saia da minha frente e não apareça nunca mais.

Não apareça nunca mais por um simples motivo: se você acredita piamente que a ala feminina é dividida entre mulheres pra pegar e mulheres pra casar, você não respeita nenhuma delas. Afinal de contas, quais são os fatores classificatórios para encaixar uma mulher em uma dessas categorias? A roupa que ela usa? O número de caras com quem ela já transou? O tamanho da saia ou a generosidade do decote? Maquiagem? E o que você faz com cada uma delas? Com a mulher pra casar, você compra uma casa pra ela limpar e tem uma penca de filhos pra ela cuidar. E a mulher pra pegar é aquela que você usa – dá uma transadinha e beijo, não me ligue. Certo?

Errado. Erradíssimo. Objetificar mulheres dessa maneira é apenas mais um passo para endossar ainda mais o pensamento machista que permeia grande parte da sociedade. Pensar assim contribui para que o número de agressões (físicas e psicológicas) às mulheres só aumente. Eu, no fim das contas, posso voltar para casa no fim da noite correndo apenas o risco de ser assaltado. Suo frio, porém, quando alguma das mulheres que fazem parte da minha vida se encontra nessa situação, já que qualquer motivo pode ser suficiente para um abuso, uma agressão ou um estupro.

Perpetuar esse pensamento não é apenas uma atitude conservadora e imbecil como denota um amadorismo imenso no que diz respeito a se envolver com – e conhecer – alguém. É achar que pessoas são simples em uma medida que permite classificações tão rasas. Especialmente se estamos falando de mulheres, os seres mais complexos que já pisaram nesse planeta azul.

E já que o assunto é rotular mulheres, aproveito também para discordar veementemente de Nelson Rodrigues no que diz respeito às damas na sociedade e putas na cama. Não consigo passar meia volta do relógio ao lado de uma dama, daquelas que precisam pensar três vezes na hora de falar, levantam o mindinho religiosamente na hora de tomar uma xícara de chá (aliás, quem em sã consciência gosta de chá?) e ficam estarrecidas ao ouvir um palavrão. Ao mesmo tempo, lidar com uma puta na cama não é das tarefas mais animadoras, com todo o respeito à classe. Não tem tempero, não tem química, não tem graça.

Quero uma mulher que tenha a indecência de gargalhar até engasgar, que tome cerveja com meus amigos e encha a boca pra mandar o juiz tomar no cu, no meio de um jogo do Corinthians. Que, ao mesmo tempo, saiba que sexo não é a representação de uma cena qualquer do XVideos e que ela não precisa se inspirar na Sasha Grey entre quatro paredes. Uma mulher que entenda que meu prazer começa logo depois do dela.

Por isso, peço do alto de minha insignificância: moça, esqueça as dualidades de casar vs. pegar e de dama vs. puta. Não seja nem uma metade, nem outra. Seja inteira, seja você. Se deixar de usar uma saia curta, que seja porque o tempo está frio ou porque a cor dela não combina com seus sapatos. Se for para deixar de beber pinga, que seja por culpa da gastrite ou tão somente porque você não gosta de álcool. E mais importante: não deixe de dar para aquele cara na primeira noite por medo do que ele vai pensar, mas por simplesmente não querer transar naquela noite. Ou porque ele é um babaca que te chamaria de piranha para os amigos depois de te comer – e achar que ele é o maior especialista em sexo da Terra, ainda que ele só tenha pensado em si na cama.

Dama Casal sem vergonha

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Jovens muçulmanas não podem falhar aulas de natação na Alemanha se usarem o "burqini"

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Tribunal considera que o uso de um fato de banho que cobre quase todo o corpo é uma solução de compromisso, em resposta à queixa de uma jovem de 13 anos.

O "burqini" é um fato de banho que cobre quase
todo o corpoROLF HAID/AFP
Um tribunal alemão decidiu que uma aluna muçulmana não pode deixar de participar nas aulas de natação mistas na escola, desde que seja autorizada a usar o chamado "burqini" – um fato de banho que deixa apenas visíveis a face, as mãos e os pés.

A queixa foi apresentada pelos pais de uma jovem de 13 anos, de origem marroquina, que estuda numa escola de Frankfurt.

Segundo os queixosos, para além da questão da roupa usada pela jovem, estava também em causa o embaraço provocado pela presença de rapazes e raparigas vestidos com fatos de banho considerados "impróprios".

"O Corão não proíbe apenas que se seja visto por outros com pouca roupa; ela própria [a aluna] não devia ver rapazes e raparigas com pouca roupa", disse o advogado Klaus Meissner.

Mas o Tribunal Federal Administrativo da Alemanha – a mais alta instância judicial do país para questões públicas e administrativas – teve um entendimento diferente, indicando que as obrigações do Estado em relação ao ensino têm precedência sobre os usos e os costumes ligados a uma determinada prática religiosa.

"A queixosa não conseguiu deixar suficientemente claro que ter aulas mistas com um 'burqini' viola as regras muçulmanas de indumentária", lê-se na decisão, citada pelos media alemães.

Antes do Tribunal Federal Administrativo, já outros dois tribunais tinham emitido decisões no mesmo sentido.

Apesar da oposição da jovem e dos seus pais, o Conselho Geral dos Muçulmanos alemão concorda com a decisão do tribunal, embora saliente que o sistema judicial deve levar em conta a liberdade religiosa e de consciência.

"Do nosso ponto de vista, um fato de banho que cobre todo o corpo é apropriado e aceitável segundo o islão. No entanto, a liberdade religiosa e a liberdade de consciência deve ser respeitada", disse o líder do conselho, Aiman Mazyek.


PÚBLICO

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Menos adolescente e mais adultos estão fumando maconha

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Levantamento do governo dos EUA mostra que aregulamentação na venda de maconhatrouxe benefícios como, o menor acesso dos jovens à droga.


Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde estão sendo feitas desde 2012 e se você acredita nas manchetes, amaconha medicinal elegalização da maconha estão levando a um aumento maciço do uso da maconha. O problema é que alguns meios de comunicação não estão mostrando exatamente quem está usando mais maconha: adultos mais velhos.


De acordo com os dados mais recentes, entre os americanos com idades de 12 anos para cima, quase quatro milhões mais têm experimentado maconha, quase dois milhões mais estão usando por ano, e quase 8-100,000 mais estão usando mensalmente. Uso na vida aumentou de 41,9% para 42,8% da população, o uso anual subiu de 11,5% para 12,1%, e a utilização mensal subiu de 7,0% para 7,3%.


No entanto, quando você quebrar os números pela demografia, um fato muito mais interessante surge: o uso por adolescentes e adultos jovens até aos 25 anos de idade está indo para baixo, enquanto o uso entre os de 26 anos e mais velhos está a aumentar, especialmente o uso entre os usuários de 50 anos e mais velhos.


Uso durante a vida inteira, anual, mensal e uso de maconha por crianças entre 12-17 caiu , mesmo como adversários da legalização alertam que o afrouxamento da proibição da maconha seria um desastre com o aumento do uso e dependência para as crianças. Entre todas as categorias raciais e étnicas, o uso da maconha é baixo. No entanto, enquanto o uso mensal total de maconha entre crianças com idade entre 12-17 caiu de 7,9% para 7,2%, vale ressaltar que o uso mensal entre meninas de 12 e 17 anos de idade subiu de 6,7% para 7,0%.


Maconha da lata

sábado, 31 de agosto de 2013

Um retrato da sociedade do espetáculo

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“Bling Ring”, de Sofia Coppola, expõe curiosa fronteira, onde superficialidade, transgressão e redes sociais encontram-se. Mas cheira a conformismo…

Por Lais Fontenelle

Acabo de sair, com uma enorme sensação de vazio, do cinema, depois de assistir ao último lançamento de Sofia Coppola, Bling Ring: A gangue de Hollywood que conta a história, originalmente publicada em 2009, na revista Vanity Fair, de um grupo de adolescentes ricos e residentes do bairro californiano Calabasas, onde o horizonte mais distante e almejado parece ser de fato a colina das mansões de Hollywood à frente.

E é para lá que esses jovens, desesperançados e obcecados por fama, decidem ir noites seguidas, em busca de um sonho e um estilo de vida baseado nas fotos e reportagens que leem em sites e revistas de fofocas sobre a vida de seus ídolos: atrizes, modelos e celebridades hollywoodianas. Mas, esse sonho, esvaziado de utopias ou desejos — que aparenta não ir além de bolsas Channel, óculos Ray Ban ou sapatos Louboutin — acaba numa realidade bem dura e concreta: atrás das grades.

A brincadeira desses jovens, supostamente inocente, começa na casa de Paris Hilton, herdeira de um império do setor hoteleiro americano e habituée nas capas de revista de todo mundo pelo estilo de vida e roupas que ostenta. Uma dupla de amigos da escola descobre seu endereço e o fato que a casa estará vazia e decidem ir até lá “fazer compras”. Depois de se deslumbrarem com os luxos e as marcas de sonho na mansão da moça, saem de lá tranquilamente com malas Louis Vuitton nas mãos repletas de coisas roubadas e com uma falsa sensação de plenitude nas mãos, oferecida por esses fugazes momentos de diversão. Mas, como a sensação de bem estar dura pouco, assim como a oferecida pelas drogas que ingerem diariamente, eles querem mais e é aí que a brincadeira fica séria.

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A dupla acaba expondo as “travessuras” cometidas através de fotos que postam nas redes sociais e por relatos detalhados para amigas da escola, que se animam com a ideia de “ir às compras” nas casas de celebridades. E assim a dupla vira um grupo ou quadrilha que começa a fazer dessas invasões de privacidade um hábito divertido, usado para fugir do tédio — sem se preocupar com o ato transgressor, violento e ilícito que estavam cometendo. Aliás, fica claro no filme que, talvez, a única preocupação desses jovens seja a aparência.

Tudo é espetacularizado e compartilhado, o que demostra o questionamento cada vez maior dos limites entre o público e o privado, em tempos de redes sociais. Esse é um dos pontos mais importantes do filme: a experiência da exposição e da privacidade. Parece-nos que vale tudo por um minuto de fama compartilhada. E as celebridades “seguidas” por esses jovens também expõem sua privacidade, desde suas roupas até seu paradeiro de final de semana. O que, além de gerar um sentimento de intimidade com seus “fãs” acaba ajudando a gangue na hora de planejar a próxima invasão.

Ao entrar nas mansões, os adolescentes experimentam aquele estilo de vida através de objetos já conhecidos e almejados dos closets, deixando claro o sentimento de intimidade compartilhado entre os jovens e seus ídolos.

Através do fanatismo por roupas e marcas das personagens, o filme parece expor um retrato real dos dias de hoje. Os jovens desejam e consomem não somente uma roupa ou acessório, mas um signo social e um estilo de vida. Uma associação que começa na infância, quando as marcas utilizam personagens e mascotes. E ao entrar na adolescência são as celebridades, com suas marcas e grifes, que ganham força no imaginário juvenil.

Bling Ring (2013) Katie Chang and Israel Broussard

A diretora escolheu não entrar nas questões psicológicas de seus personagens, na ausência familiar ou na falência da instituição escolar, mas ainda assim consegue capturar o que muitos autores chamam de zeitgeist – espírito de uma época. E demonstra a existência de uma juventude fútil, desesperançada e violenta que se preocupa mais em ter do que ser. Que compartilha mais objetos do que afetos. Mas, apesar do vazio do tema Sofia acerta, como sempre, nos diálogos e na estética que, através do último trabalho de fotografia do excelente Harris Savides, consegue tirar brilho de cenas tão deprimentes.

É um filme que merece ser visto pela reflexão que suscita. Inspira a enxergar os valores compartilhados pela juventude atual, seu tempo frenético, seus sonhos e desejos. E os limites entre o público e o privado, em tempos de redes sociais.

Porém, o mais violento do filme não são os delitos cometidos pelos jovens, mas talvez o sentimento de desesperança gerado no final. Sentimento ampliado em mim com a notícia de que a distribuidora de Bling Ring fez uma parceria com uma grife de moda, através da qual um concurso dará vinte kits com produtos Sephora e Vandal para looks inspirados em personagens do filme.

A iniciativa parece mostrar que o mercado conseguiu abocanhar a crítica da montagem e transformá-la em desejo de consumo. E assim acaba por abalar o próprio valor artístico do cinema, de questionar a realidade vigente. Principalmente essa experiência de violência simbólica da mercantilização de tudo, vivenciada na sociedade do espetáculo.

Outras Palavras

sábado, 24 de agosto de 2013

Homens na ioga: conheça 5 motivos para apostar na prática

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A ioga pode aliviar o estresse, fortalecer as articulações e prevenir ferimentos


Quando a maioria dos homens escuta a palavra “ioga”, provavelmente pensa em músicas relaxantes, incensos queimando e pessoas super flexíveis em roupas de academia. Se você é cético neste campo, também pode estar pensando que essa é uma atividade muito passiva para você.

Mas de acordo com um artigo publicado pelo site do jornal Huffington Post, a prática vem evoluindo e, atualmente, é possível encontrar aulas para pessoas extremamente inflexíveis ou para novatos.

Os  aspectos espirituais "tradicionais" ainda estão presentes em yoga, no entanto, há também os treinos menos dogmáticos que atendem a diversos estilos de vida e trazem benefícios. Veja 5 motivos que indicam que os homens deveriam apostar nesta atividade.​



De homem para homem
A ioga foi originalmente concebida de homens e para homens, e por milhares de anos foi praticada somente por eles. Com o surgimento de diferentes modalidades, com certeza você irá encontrar uma que se encaixe com as suas necessidades. Foto: Getty Images



Força e foco
Se você é um atleta, a ioga fará com que você fique mais forte e mais flexível. Ela ajuda a fortalecer as articulações, prevenindo ferimentos. Ela também irá ajustar o seu foco e a propriocepção, que é o senso da força e do movimento no espaço. Foto: Getty Images



Estresse
A ioga alivia o estresse porque possibilita uma meditação em movimento e, com isso, limpa a mente. Ela permite que você presencie o momento, reduzindo o “diálogo” mental. Foto: Getty Images



Programa de exercícios
A ioga é uma ótima forma de se começar um programa de exercícios. Existem muitos programas para iniciantes, especialmente para homens. Isso irá ajudar aqueles que estão desanimados ou com vergonha pela falta de habilidade. Foto: Getty Images



Encontros
Ioga também é uma forma barata de encontrar uma nova parceira – custa menos e é mais saudável do que programas como restaurantes ou bares. Foto: Getty Images



Terra Brasil

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Saiba por que as ressacas nos tornam mais estúpidos

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Qualquer um que já tenha acordado de ressaca suspeitou o que uma nova pesquisa da Universidade de Keele, em Staffordshire, no Reino Unido, acaba de confirmar:

O mal estar gerado pelo excesso de bebidas alcoólicas altera a capacidade de raciocínio.


Os psicólogos definem a ressaca como os sintomas deixados depois que os níveis de álcool na corrente sanguínea retornam a zero. E a nova descoberta indica que os excessos de uma noite animada podem durar bem mais que o tempo que se leva para ficar sóbrio novamente.

Junto com tonteiras, náusea e ansiedade, a ressaca tem impacto na memória de trabalho, que regula a habilidade de reter e manipular informações, levando as vítimas a serem menos capazes de desenvolver tarefas como uma simples conta aritmética.

- Os sintomas da ressaca não são apenas psicológicos, afetam o funcionamento cognitivo e o humor, podendo levar a diversas consequências indesejáveis – explicou ao jornal “The Telegraph” a pesquisadora em pós-doutorado Lauren Owen, coordenadora do estudo.

Os resultados preliminares, segundo ela, parecem indicar uma queda entre 5% e 10% na memória de trabalho e um aumento de erros em cerca de 30% nos voluntários em ressaca. Os tempos de reação também ficaram abaixo do esperado, o equivalente a uma pessoa de 20 anos tendo uma atitude de alguém de 40 anos.

As causas científicas de ressaca ainda não são bem compreendidas. São parcialmente um sintoma de desidratação, mas os produtos químicos do álcool, como o etanol, também parecem desempenhar algum papel. No organismo o etanol se decompõe em um composto chamado acetato para que possa ser expelido, mas também pode formar uma molécula tóxica chamada acetaldeído durante esse processo. Baixos níveis de metanol também podem ser encontrados em algumas bebidas alcoólicas mais escuras e são quebrados em compostos mais tóxicos, que pioram a ressaca.
Indicação do leitor Higor Costa

Via O Globo

As Biritas

domingo, 18 de agosto de 2013

Laís Montagana: Se Você Diz Que Não É Feminista, Provavelmente Não Sabe do Que Está Falando

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Sei que entrar em discussões na internet é um erro. Geralmente, online, ninguém lê ou interpreta os pontos de vistas contrários ao seu, o que gera uma “gritaria” que não leva a lugar nenhum. Mas, mesmo assim, acabo me envolvendo em alguns debates. Principalmente quando entra em algum ponto sobre o feminismo. É que, na maioria das discussões que tive com pessoas se dizendo contra o feminismo, elas tinham uma noção bem rasa do que realmente é o movimento. Entenda, não quero dizer que todo mundo tem a obrigação de saber, mas, a partir do momento em que você decide se posicionar sobre um assunto, você deve sim ter noção do que está falando. As pessoas xingam de ~feminazis~, tacam pedra na Geni e são contra o feminismo sem ao menos saber o que significa.

Fico inconformada ao ver mulheres perpetuando o machismo. É que ainda existe, sim, uma introjeção do machismo nas mulheres e isso é um dos mecanismos de sua manutenção. E não tô falando das nossas avós ou mães porque elas foram criadas em uma época na qual os ideais do feminismo ainda não eram tão difundidos e o machismo imperava como verdade absoluta. Então, quando crianças, acabaram incorporando os valores dos pais machistas e da sociedade patriarcal, transformando-os em seus e, devido a isso, muitas já têm uma ideia formada imutável. O que me deixa decepcionada mesmo é quando vejo filhas do feminismo, mulheres que fazem parte da nossa geração e que, como eu e você: votam, estudam, trabalham, namoram e transam com quem querem mas não conseguem reconhecer o valor disso. Do tipo que brada aos quatro ventos que o feminismo não serve mais pra nada. Que já cumpriu o seu papel e o resto é bobagem, é coisa de ~feminazi~. Como se a luta tivesse acabado. Sendo que ela mal começou.

Estamos falando de uma opressão histórica: durante milhares de anos, as mulheres foram subjugadas como incapazes. Só nos últimos dois séculos que começamos a mudar isso. Ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas veja bem, nossa luta não é sozinha. Feminismo é um movimento social, filosófico e político que prega a igualdade. O feminismo não é o inverso do machismo. O machismo é um sistema de dominação masculina, uma vertente do sexismo, que defende a superioridade de um sexo em detrimento de outro. O feminismo não prega a dominação das mulheres sobre os homens. O feminismo é uma forma de sexualismo, que prega a igualdade entre os sexos. O feminismo almeja a libertação de padrões opressores baseados em normas de gênero. Feminismo é a luta por direitos iguais e liberdade. Liberdade. Não a supremacia feminina. Feminismo não prega ódio. Feminismo clama por igualdade. Feminismo é uma luta por direitos iguais. Feminismo quer um mundo justo e livre pra todos.

Então, veja bem: o feminismo não beneficia só as mulheres. Ele é contra o sistema patriarcal, que também oprime e vitimiza os homens. Afinal, a obrigatoriedade do serviço militar e a dificuldade em, por exemplo, conseguir a guarda dos filhos ou licença paternidade é tudo herança dessa cultura patriarcal que atribui aos homens o papel de provedores, o chefe de família, cara durão, a cultura do ~machão~ que não pode chorar, nem brochar e demonstrar seus sentimentos ou qualquer outra característica atribuída ao sexo feminino, já que esse é considerado frágil e inferior. É daí que vem usar “gay” como um “xingamento” porque ser gay é ser um homem “defeituoso”: com características de ~maricas~. Por isso é um equívoco os homens temerem o feminismo. O movimento oferece a eles a possibilidade de se libertarem dos conceitos ultrapassados de masculinidade e nocivos a ambos os gêneros.

É também um absurdo mulheres falarem que não precisam mais do feminismo porque já “sentem” que conquistaram igualdade de direitos. Se os tempos mudaram e nós, mulheres, podemos trabalhar, estudar e ter voz ativa, isso foi graças ao feminismo. E enquanto existir caga regras dizendo que “mulher não pode isso, mulher tem que ser aquilo,” vai existir o machismo travestido de ~valores da família~ ou ~bom senso~, e eu vou precisar do feminismo. Enquanto eu tiver que ignorar olhares e abordagens invasivas que escuto quando resolvo sair de minissaia, eu preciso do feminismo. Enquanto eu tiver medo de andar à noite na rua, não por receio de furtarem meu celular, mas por temer ser estuprada, eu preciso do feminismo. Enquanto eu tiver medo de ser violentada oralmente, verbalmente ou sexualmente, eu preciso do feminismo. Enquanto a média salarial da mulher ainda for mais baixa que a do homem, eu preciso do feminismo. Enquanto mulheres sofrerem violência doméstica (na maioria dos casos o próprio parceiro é o agressor), eu preciso do feminismo. Enquanto a sociedade me impuser padrões de beleza, de comportamento e de vida, eu preciso do feminismo. Enquanto medirem o meu caráter pelo comprimento do meu vestido, eu preciso do feminismo. Enquanto a cultura do estupro continuar, eu preciso do feminismo. Enquanto eu não for a dona do meu prazer, eu preciso do feminismo. Enquanto eu não me sentir livre o suficiente para escolher ser o que eu quiser ser, eu preciso do feminismo.

Resumindo pra vocês: sou feminista, sim, com orgulho. E quando alguém bate o pé e afirma que não é feminista eu concluo que essa pessoa não sabe sobre o que está falando.



Casal Sem Vergonha